Por Gabriela Alvares, coordenadora de Relações Institucionais e Mobilização Política
Muito se fala em liderança, mas pouco se aplica de forma consistente, especialmente na política. Ser líder vai além do cargo: é entender o time, desenvolver talentos e criar um ambiente propício à entrega, algo ainda raro na política institucional.
A política brasileira ainda carrega práticas que dificultam uma gestão moderna: centralização, personalismo e estruturas pouco preparadas para reconhecer competências. Há exceções, mas ainda são pontos fora da curva.
Como profissional de Recursos Humanos que também atua há anos em mandatos parlamentares e campanhas políticas, tenho acompanhado na prática como a valorização das pessoas influencia diretamente os resultados de um projeto político. A força de qualquer iniciativa começa com o engajamento de quem a executa, e isso vale tanto para o planejamento de uma campanha quanto para a rotina de um gabinete.
O processo de construção de comunidade começa de dentro para fora. Equipes valorizadas, alinhadas e com propósito claro transformam discurso em prática. Essa base sustenta qualquer mobilização consistente. Projetos que não conseguem engajar suas próprias equipes dificilmente terão força para mobilizar a sociedade. Como já destacou Simon Sinek, equipes que entendem o “porquê” trabalham com mais propósito. Isso vale ainda mais na política.
Recentemente, li uma análise do estrategista Lucas Pimenta que define bem uma armadilha comum no meio político: os “puxa-sacos”. Segundo ele, a bajulação é uma das maiores ameaças a qualquer projeto, pois cria uma realidade paralela onde os erros são mascarados por elogios constantes. Isso enfraquece a cultura de melhoria contínua, compromete a estratégia e, em última instância, os resultados eleitorais.
Essas reflexões foram possíveis porque atuei em espaços políticos abertos à inovação e profissionalismo. Como coordenadora de uma campanha eleitoral, pude aplicar essas ideias na prática. Estruturamos uma equipe diversa, com metas claras, acompanhamento e valorização contínua. Mobilizamos mais de 100 colaboradores, com alta estabilidade e engajamento até o fim. O resultado não foi apenas eleitoral, mas também humano: uma equipe engajada e conectada à missão do projeto.
Algumas ações simples que fazem a diferença:
Liderar um projeto político é, antes de tudo, liderar pessoas. É formar um time que compartilhe uma visão de mundo, mas que também tenha liberdade para divergir, contribuir e melhorar o processo. A forma como essa equipe é organizada, ouvida e engajada costuma ser o primeiro grande teste de uma liderança política. Se um projeto não consegue mobilizar quem está dentro, dificilmente conseguirá representar os anseios de uma sociedade diversa.
A gestão de pessoas é, portanto, um modelo em pequena escala da gestão pública: exige escuta ativa, respeito à pluralidade e capacidade de transformar ideias em ação. O maior capital de uma campanha ou mandato não está só nas redes sociais, mas na qualidade dos vínculos que sustentam o projeto por dentro.
Valorizar gente não é um luxo: é o que diferencia projetos frágeis de trajetórias consistentes.
Quando a gestão de pessoas deixa de ser um improviso e passa a ser estratégica, o impacto é visível: nas relações, na entrega e no legado.
A pergunta que fica é: “Você quer comandar um projeto ou construir um legado?” A resposta está sempre em como você escolhe liderar pessoas.